Pelo Mundo da Propaganda e Demagogia

Domingo, Julho 22, 2007

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Sócrates levou computadores e conheceu gente que quis mais para as suas vidas

22.07.2007, Bárbara Simões

Novas Oportunidades apontado pelo primeiro-ministro como “o programa mais importante que o Governo lançou”. Diplomas foram entregues, em Lisboa, a alguns dos participantes

Acontece às vezes no mundo dos adultos. Parar algures no meio da azáfama e pensar: “Quero mais para a minha vida.”
Alguns desses adultos estiveram ontem de manhã no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Conseguiram, nalguns casos décadas depois de terem desistido da escola, ver certificadas competências adquiridas ao longo da vida e aumentar as suas qualificações.
Receberam os diplomas com palmas e indisfarçada emoção. Arminda Costa, mãe de um filho de sete anos, foi quem se dirigiu ao microfone para deixar o seu testemunho: “Tenho 38 anos e completei há pouco tempo o 9.º ano.”
A entrega de diplomas a estes adultos que concluíram o processo de reconhecimento, validação e certificação de competências – um nome difícil de decorar que traduz a possibilidade, oferecida pelo programa Novas Oportunidades, de obter num menor espaço de tempo habilitações de nível básico e secundário (9.º ou 12.º ano) – precedeu uma outra: a de 35 dos primeiros cinco mil computadores portáteis que ontem começaram a ser distribuídos, por membros do Governo, nas capitais de distrito do país.
Em Lisboa foi o primeiro-ministro, José Sócrates, a comparecer no arranque desta iniciativa, anunciada no final de Maio, com que o Governo pretende garantir, de forma faseada, a mais de meio milhão de estudantes, professores e trabalhadores em formação o acesso a computador e Internet de banda larga a preços reduzidos.
“Exemplo para o país”
Sócrates terminou a sua intervenção lembrando que “massificar o uso do computador é essencial para que Portugal se modernize”. Mas foi aos recém-diplomados que dedicou a maior parte das palavras.
O país, disse, “precisa de aprender mais”. Os números são conhecidos: a grande maioria (70 por cento) dos cinco milhões e 100 mil portugueses a trabalhar não tem o secundário. E aqueles que já na idade adulta reconhecem que têm de saber mais e, com “esforço” e “coragem”, decidem ir aprender são “um exemplo para todo o país”.
Porque entende que “a única forma” que Portugal tem de competir na economia global é aumentar o valor do conhecimento de cada português, o primeiro-ministro diz não ter dúvidas se alguém lhe perguntar qual “o programa mais importante que o Governo lançou”. Foi “este programa Novas Oportunidades”.
“O desafio para o Governo português é criar oportunidades para a Arminda”, resumiu.
Arminda diz: “Quero mais para a minha vida.”
Fala já no final da cerimónia. Está “emocionada”; “é um sonho que renasce”. É empregada de mesa no Estado-Maior do Exército, mas sempre quis ser “enfermeira-parteira”. Agora voltou a sentir que podia conseguir. Tenciona fazer mais um curso de informática e continuar a estudar.
Há pelo menos outra pessoa na sala com o mesmo gosto por enfermagem. Fátima Pereira, 51 anos. Em Angola, de onde veio em 1977, estudou até ao 6.º ano. Um dia estava a ver o Telejornal e ouviu falar neste programa de formação para adultos. Participar exigiu “um bocadinho de sacrifício”, mas “valeu a pena”. Já tem o 9.º ano e quer ir “pelo menos até ao 12.º”.
A filha, deficiente auditiva, “está crescida” e cuida da sua vida. “Agora estou a pensar em mim.”
Até agora inscreveram-se no Novas Oportunidades 250 mil portugueses. São três os objectivos traçados pelo Governo: fazer do 12.º ano “o referencial mínimo de qualificação”; possibilitar que metade dos alunos do secundário sejam “abrangidos em vias tecnológicas e profissionalizantes”; e qualificar, até 2010, um milhão de activos através da validação de competências e formação de adultos.

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