Margarida Moreira Dixit

Sexta-feira, Dezembro 7, 2007

z1.jpg
z2.jpg

z3.jpg

z4.jpg

z5b.jpg

A Mocidade Socialista

Quarta-feira, Julho 25, 2007

PSD compara contratação de crianças para “propaganda” à Mocidade Portuguesa

Isabel Leiria (Público, 25 de Julho de 2007, p. 7)

CDS-PP critica o recurso a “figurantes” através do erário público, com o objectivo de criar uma ilusão

O PSD e o CDS-PP não poupam críticas à forma como decorreu a apresentação do Plano Tecnológico da Educação, anteontem em Lisboa, e que contou com a participação de uma dezena de crianças, recrutadas por uma agência de casting para simular uma aula e demonstrar as po-tencialidades da utilização dos quadros interactivos com que o Governo vai equipar as escolas.
“No antigo regime, as crianças eram arrebanhadas pela Mocidade Portuguesa para fazer cenário político, só que não eram pagas”, criticou ontem a vice-presidente da bancada social-democrata Zita Seabra, em conferência de imprensa.
Os “alunos” em causa foram chamados pela empresa NBP, que foi por sua vez contratada pela Action4 Ativism, com quem o Ministério da Educação combinou a organização do evento, relata-se na edição de ontem do 24 Horas. Em declarações à RTP e à SIC, alguns dos miúdos disseram que iam receber 30 euros pela sua participação na demonstração.
“Do ponto de vista ético, é bater no fundo. O primeiro-ministro tem de explicar como é possível levar tão longe a propaganda governamental. Não é admissível que crianças sejam contratadas e arrebanhadas para figurar na propaganda do Governo”, criticou Zita Seabra.
Nuno Melo, deputado do CDS-PP, lamenta que o Governo tenha recorrido a “figurantes pagos à conta do erário público para criar uma convicção na sociedade que não corresponde à realidade” e que “beneficia o primeiro-ministro e secretário-geral do PS”. O deputado interroga-se quantas vezes no passado não terá havido recurso a outros “actores” para simular a adesão a uma iniciativa de um governo, que “muitas vezes privilegia a forma em prejuízo do conteúdo”.
Para a presidente da Confederação Nacional de Acção sobre Trabalho Infantil, Ana Maria Mesquita, o acontecimento de anteontem tratou-se “claramente de uma campanha publicitária deste Governo”, pelo que a única coisa que está em causa é saber se a empresa que contratou as crianças cumpre a legislação em vigor. “Quem deve averiguar é a Inspecção-Geral do Trabalho”, diz Ana Maria Mesquita, sem querer fazer distinção entre o recrutamento de crianças para campanhas promovidas por privados ou pelo Governo.
“Pessoalmente, entendo que não precisava de ter utilizado crianças. Precisava era de colocar os computadores nas escolas, comentou ainda.
Confrontado anteontem pelos jornalistas, José Sócrates disse apenas que “é normal fazerem-se apresentações”. A ministra da Educação esclareceu que o objectivo era demonstrar como funcionam os quadro interactivos e considerou que o recurso a crianças contratadas era “um pormenor muito pouco relevante” perante o investimento superior a 400 milhões de euros anunciado.
Tudo para que em 2010 haja uma média de dois alunos por computador, Internet acessível em toda a escola e equipamentos tecnológicos nas salas de aula.

Pelo Mundo da Propaganda e Demagogia

Domingo, Julho 22, 2007

 publico22jul07.jpg 

Sócrates levou computadores e conheceu gente que quis mais para as suas vidas

22.07.2007, Bárbara Simões

Novas Oportunidades apontado pelo primeiro-ministro como “o programa mais importante que o Governo lançou”. Diplomas foram entregues, em Lisboa, a alguns dos participantes

Acontece às vezes no mundo dos adultos. Parar algures no meio da azáfama e pensar: “Quero mais para a minha vida.”
Alguns desses adultos estiveram ontem de manhã no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Conseguiram, nalguns casos décadas depois de terem desistido da escola, ver certificadas competências adquiridas ao longo da vida e aumentar as suas qualificações.
Receberam os diplomas com palmas e indisfarçada emoção. Arminda Costa, mãe de um filho de sete anos, foi quem se dirigiu ao microfone para deixar o seu testemunho: “Tenho 38 anos e completei há pouco tempo o 9.º ano.”
A entrega de diplomas a estes adultos que concluíram o processo de reconhecimento, validação e certificação de competências – um nome difícil de decorar que traduz a possibilidade, oferecida pelo programa Novas Oportunidades, de obter num menor espaço de tempo habilitações de nível básico e secundário (9.º ou 12.º ano) – precedeu uma outra: a de 35 dos primeiros cinco mil computadores portáteis que ontem começaram a ser distribuídos, por membros do Governo, nas capitais de distrito do país.
Em Lisboa foi o primeiro-ministro, José Sócrates, a comparecer no arranque desta iniciativa, anunciada no final de Maio, com que o Governo pretende garantir, de forma faseada, a mais de meio milhão de estudantes, professores e trabalhadores em formação o acesso a computador e Internet de banda larga a preços reduzidos.
“Exemplo para o país”
Sócrates terminou a sua intervenção lembrando que “massificar o uso do computador é essencial para que Portugal se modernize”. Mas foi aos recém-diplomados que dedicou a maior parte das palavras.
O país, disse, “precisa de aprender mais”. Os números são conhecidos: a grande maioria (70 por cento) dos cinco milhões e 100 mil portugueses a trabalhar não tem o secundário. E aqueles que já na idade adulta reconhecem que têm de saber mais e, com “esforço” e “coragem”, decidem ir aprender são “um exemplo para todo o país”.
Porque entende que “a única forma” que Portugal tem de competir na economia global é aumentar o valor do conhecimento de cada português, o primeiro-ministro diz não ter dúvidas se alguém lhe perguntar qual “o programa mais importante que o Governo lançou”. Foi “este programa Novas Oportunidades”.
“O desafio para o Governo português é criar oportunidades para a Arminda”, resumiu.
Arminda diz: “Quero mais para a minha vida.”
Fala já no final da cerimónia. Está “emocionada”; “é um sonho que renasce”. É empregada de mesa no Estado-Maior do Exército, mas sempre quis ser “enfermeira-parteira”. Agora voltou a sentir que podia conseguir. Tenciona fazer mais um curso de informática e continuar a estudar.
Há pelo menos outra pessoa na sala com o mesmo gosto por enfermagem. Fátima Pereira, 51 anos. Em Angola, de onde veio em 1977, estudou até ao 6.º ano. Um dia estava a ver o Telejornal e ouviu falar neste programa de formação para adultos. Participar exigiu “um bocadinho de sacrifício”, mas “valeu a pena”. Já tem o 9.º ano e quer ir “pelo menos até ao 12.º”.
A filha, deficiente auditiva, “está crescida” e cuida da sua vida. “Agora estou a pensar em mim.”
Até agora inscreveram-se no Novas Oportunidades 250 mil portugueses. São três os objectivos traçados pelo Governo: fazer do 12.º ano “o referencial mínimo de qualificação”; possibilitar que metade dos alunos do secundário sejam “abrangidos em vias tecnológicas e profissionalizantes”; e qualificar, até 2010, um milhão de activos através da validação de competências e formação de adultos.